A história de Monte Alegre não se mede em séculos, mas em milênios. Bem antes da chegada dos europeus, suas serras e cavernas já eram o lar de uma das mais antigas ocupações humanas da Bacia Amazônica, tornando a região um capítulo fundamental para entender a pré-história das Américas. Essa herança ancestral, somada à saga da colonização e aos ciclos econômicos que moldaram a Amazônia, confere à cidade uma identidade única, gravada em rochas, rios e na cultura de seu povo.
Os Primeiros Habitantes e a Arte Rupestre
Em um passado remoto, há mais de 11.000 anos, grupos de caçadores-coletores encontraram abrigo e um lugar para expressar sua visão de mundo nas formações rochosas que pontuam a paisagem. O Parque Estadual de Monte Alegre, especialmente a Serra do Ererê e a Serra da Lua, abriga um verdadeiro museu a céu aberto. O sítio arqueológico mais famoso, a Caverna da Pedra Pintada, guarda painéis com pigmentos vermelhos e amarelos que retratam figuras humanas, animais, padrões celestes e cenas do cotidiano. Essas descobertas redefiniram o conhecimento científico sobre a chegada do homem à Amazônia, provando que a floresta foi habitada muito antes do que se imaginava.
- Patrimônio Mundial: As pinturas rupestres de Monte Alegre são consideradas um dos mais importantes conjuntos de arte pré-histórica do continente.
- Cultura Adaptada: Os vestígios indicam a existência de uma cultura complexa, com profundo conhecimento do ambiente e uma rica vida simbólica.
- Diversidade de Sítios: Além da Pedra Pintada, dezenas de outros sítios arqueológicos estão espalhados pela região, muitos ainda em estudo.
Missões, Fortes e a Formação do Povoado
O cenário mudou drasticamente com a chegada dos colonizadores portugueses no século XVII. Em 1682, o padre jesuíta João Maria Gorzoni fundou a Missão do Gurupatuba, com o objetivo de catequizar as populações indígenas locais e consolidar a presença lusitana na região. Devido à sua localização estratégica no Baixo Amazonas, o povoado também ganhou importância militar, servindo como um posto avançado para proteger o vasto território de incursões estrangeiras. O núcleo urbano de Monte Alegre começou a se desenvolver lentamente ao redor da missão religiosa e da pequena estrutura de defesa, assentando as bases para a cidade que conhecemos hoje.
De Vila a Município: Ciclos Econômicos e Consolidação
Após séculos como um povoado ligado à influência religiosa e militar, Monte Alegre foi elevada à categoria de vila e, finalmente, a município em 16 de março de 1880, desmembrando-se de Santarém. Durante os séculos XIX e XX, sua economia acompanhou os grandes ciclos da Amazônia, com atividades baseadas na extração de recursos naturais, como a borracha e a castanha, além da consolidação da pecuária extensiva nos campos naturais e da agricultura de subsistência nas áreas de várzea. Essa base econômica moldou a paisagem e a sociedade local, criando uma cultura vibrante que mistura influências indígenas, ribeirinhas e nordestinas.
Legado Protegido e o Futuro no Ecoturismo
O reconhecimento da importância de seu patrimônio culminou na criação do Parque Estadual de Monte Alegre (PEMA) em 2001, um marco para a proteção de sua riqueza arqueológica e natural. Atualmente, a cidade busca equilibrar suas atividades econômicas tradicionais com o crescente potencial do turismo sustentável. Monte Alegre se posiciona como um portal para uma Amazônia diferente, onde a aventura em trilhas e serras se une a uma imersão profunda na história milenar do continente. Visitar a cidade é mais do que uma viagem; é uma conexão direta com as raízes ancestrais do Brasil.
- Dicas rápidas para explorar a história:
- Para visitar os sítios arqueológicos, é fundamental a contratação de um guia local credenciado. Além de garantir a segurança, ele oferece o contexto necessário para interpretar as pinturas.
- Explore o centro da cidade a pé para observar a arquitetura do final do século XIX e início do século XX, que ainda preserva o charme da época.
- Busque informações nos centros de apoio ao visitante para entender a dimensão das descobertas arqueológicas antes de explorar os sítios.
- Lembre-se de que os painéis de arte rupestre são extremamente frágeis. Siga rigorosamente as regras de visitação do parque, como não tocar nas pinturas e não deixar lixo.